Emburreci.
Ando escrevendo mal, falando pior ainda.
Perdi a concordância.
Sei lá onde ficaram os sinais.
Provavelmente junto com a pontuação.
Perdão.
SussurroS
10.2.11
Boa vontade e realidade
Quando ouve palestras de sumidades em educação a gente sente uma coisa engraçada.
Se, como dizia alguém, a gente coloca uns óculos cor-de-rosa, o mundo fica mais lindo e a gente sente que tudo dará certo no final.
Mas um dia os óculos caem,ou a gente esquece deles, ou, como é mais comum, a realidade vem e dá um murrão que acaba com eles. E aí a ficha cai.
Na prática os alunos vivem em casinhas de um cômodo, com mais umas seis pessoas pelo menos, fora o cachorro . A iluminação é precária. O calor insuportável. Os menores choram e eles têm resolver. Quando trabalham, os pais (que geralmente são só as mães) trabalham o dia todo. Quando não, nem queira saber o que fazem o dia inteiro (geralmente mais filhos, não importa quem esteja na platéia). Há os tiros. Há a comida (miojo, coxinha, guaraná Tobi?). Há os tapas, os murros , os intermináveis palavrões (explicando de onde vem aquele tal vocabulário). Há os tiros. Há aquele cheiro de fossa ou de pano sujo...Há aquele conhecimento passado de geração em geração: pobre precisa ganhar as coisas porque nunca vai conseguir nada sozinho. A igreja dá. O governo dá. Então as meninas dão....à luz, ainda na madrugada da vida.
E tem a escola.
Onde dá para dormir, para ouvir a música que você gosta, dá para comer, dá para namorar, dá para ficar debaixo do ventilador (se você for esperto e rápido), dá para sujar tudo que alguém vai limpar. Dá para quebrar tudo, que alguém conserta ou compra outro. Dá até para desrespeitar um adulto (já vi uma lista com 100 sugestões de como fazer isso) e ver ele ficar amarelo sem poder reagir. A glória.
Minha gente, só com muita boa vontade...
Que venham as palestras, ópio miraculoso do professor bem intencionado, garantindo que tudo dará certo no final e que o mundo pode ser cor-de-rosa. (Nem que seja só por duas horas...)
Quando ouve palestras de sumidades em educação a gente sente uma coisa engraçada.
Se, como dizia alguém, a gente coloca uns óculos cor-de-rosa, o mundo fica mais lindo e a gente sente que tudo dará certo no final.
Mas um dia os óculos caem,ou a gente esquece deles, ou, como é mais comum, a realidade vem e dá um murrão que acaba com eles. E aí a ficha cai.
Na prática os alunos vivem em casinhas de um cômodo, com mais umas seis pessoas pelo menos, fora o cachorro . A iluminação é precária. O calor insuportável. Os menores choram e eles têm resolver. Quando trabalham, os pais (que geralmente são só as mães) trabalham o dia todo. Quando não, nem queira saber o que fazem o dia inteiro (geralmente mais filhos, não importa quem esteja na platéia). Há os tiros. Há a comida (miojo, coxinha, guaraná Tobi?). Há os tapas, os murros , os intermináveis palavrões (explicando de onde vem aquele tal vocabulário). Há os tiros. Há aquele cheiro de fossa ou de pano sujo...Há aquele conhecimento passado de geração em geração: pobre precisa ganhar as coisas porque nunca vai conseguir nada sozinho. A igreja dá. O governo dá. Então as meninas dão....à luz, ainda na madrugada da vida.
E tem a escola.
Onde dá para dormir, para ouvir a música que você gosta, dá para comer, dá para namorar, dá para ficar debaixo do ventilador (se você for esperto e rápido), dá para sujar tudo que alguém vai limpar. Dá para quebrar tudo, que alguém conserta ou compra outro. Dá até para desrespeitar um adulto (já vi uma lista com 100 sugestões de como fazer isso) e ver ele ficar amarelo sem poder reagir. A glória.
Minha gente, só com muita boa vontade...
Que venham as palestras, ópio miraculoso do professor bem intencionado, garantindo que tudo dará certo no final e que o mundo pode ser cor-de-rosa. (Nem que seja só por duas horas...)
Falando em Japão
em outros carnavais já tinha ouvido que no Japão as crianças não conseguem ler publicações para adultos. Isto porque existem vários níveis de letramento e elas usam uma linguagem mais simples que os adultos, ao ler, escrever e falar.
Não deixa de acontecer algo semelhante por aqui. Conheço alunos que usam o mesmo palavrão para expressar alegria, raiva, tristeza, cansaço, frustração...tudo depende do contexto, da expressão corporal, da entonação... Que se esqueça a falta de educação, o que falta mesmo é vocabulário :P
em outros carnavais já tinha ouvido que no Japão as crianças não conseguem ler publicações para adultos. Isto porque existem vários níveis de letramento e elas usam uma linguagem mais simples que os adultos, ao ler, escrever e falar.
Não deixa de acontecer algo semelhante por aqui. Conheço alunos que usam o mesmo palavrão para expressar alegria, raiva, tristeza, cansaço, frustração...tudo depende do contexto, da expressão corporal, da entonação... Que se esqueça a falta de educação, o que falta mesmo é vocabulário :P
Capacitações
Estamos em semana de capacitação. Tive que ir duas vezes ao Centro essa semana.
Ontem foi mais legal, principalmente para mim. A palestrante mostrou um punhado de textos ortograficamente libidinosos e justificou cada erro que o aluno comete. Não é que a pobre criança não aprendeu nada, é que alfabetizar demora mesmo (segundo ela no Japão o processo leva 13 anos).
Vi que meus pequenos caminharam ano passado. Estou desculpada. Milagres não faço. Não tive nem 13 meses...
Estamos em semana de capacitação. Tive que ir duas vezes ao Centro essa semana.
Ontem foi mais legal, principalmente para mim. A palestrante mostrou um punhado de textos ortograficamente libidinosos e justificou cada erro que o aluno comete. Não é que a pobre criança não aprendeu nada, é que alfabetizar demora mesmo (segundo ela no Japão o processo leva 13 anos).
Vi que meus pequenos caminharam ano passado. Estou desculpada. Milagres não faço. Não tive nem 13 meses...
Ela dormiu
depois de sete anos lutando minha avó adormeceu. Nos primeiros dias me parecia surreal que o mundo não parasse por causa disso. Que minha vida continuasse a mesma, sem que uma rachadura imensa nos céus anunciasse o fato de que minha avó estava morta e que eu não a veria mais.
Acho que todo mundo sente isso quando perde alguém.
Como pode o mundo inteiro não ver que tudo perdeu a cor e que as bússulas perderam o norte e que nada será como antes?
Na véspera eu stive no hospital. Li para ela. Conversei. Ela me olhava com olhos distantes que às vezes me viam...ou será que não?
Por anos ela entrou e saiu de hospitais. Sempre lutando, sempre vencendo.
Dessa vez era diferente, eu sabia, mas não acreditava. Ela ia voltar para casa. Eu queria, mas sabia.
Um médico tranquilo e atencioso foi nos ver. Me perguntou com pena se eu sabia o que estava acontecendo. Usou eufemismos. Faltou me sacudir e dizer: diga adeus. Segurei as lágrimas, me fiz de burra, ou fui burra mesmo, porque às vezes é simplesmente mais fácil. Com pena ele se foi.
Quando ele saiu, sentei e olhei minha avó. Por um tempo parei de ler e de conversar com ela.
Depois fiz tudo como antes. Meu primo chegou. Conversamos e até rimos.
Quando saí não disse adeus. Mas eu sabia. E isso me deixa triste.
Vai ser assim até nos vermos de novo...
depois de sete anos lutando minha avó adormeceu. Nos primeiros dias me parecia surreal que o mundo não parasse por causa disso. Que minha vida continuasse a mesma, sem que uma rachadura imensa nos céus anunciasse o fato de que minha avó estava morta e que eu não a veria mais.
Acho que todo mundo sente isso quando perde alguém.
Como pode o mundo inteiro não ver que tudo perdeu a cor e que as bússulas perderam o norte e que nada será como antes?
Na véspera eu stive no hospital. Li para ela. Conversei. Ela me olhava com olhos distantes que às vezes me viam...ou será que não?
Por anos ela entrou e saiu de hospitais. Sempre lutando, sempre vencendo.
Dessa vez era diferente, eu sabia, mas não acreditava. Ela ia voltar para casa. Eu queria, mas sabia.
Um médico tranquilo e atencioso foi nos ver. Me perguntou com pena se eu sabia o que estava acontecendo. Usou eufemismos. Faltou me sacudir e dizer: diga adeus. Segurei as lágrimas, me fiz de burra, ou fui burra mesmo, porque às vezes é simplesmente mais fácil. Com pena ele se foi.
Quando ele saiu, sentei e olhei minha avó. Por um tempo parei de ler e de conversar com ela.
Depois fiz tudo como antes. Meu primo chegou. Conversamos e até rimos.
Quando saí não disse adeus. Mas eu sabia. E isso me deixa triste.
Vai ser assim até nos vermos de novo...
4.12.10
O projeto
Vinte alunos com deficiências sérias de aprendizado. Leitura e escrita de primeiro ano, já no sexto.
Distúrbios de comportamentos dos mais variados e difíceis de suportar.
Palavrões, agressões, desinteresse, falta de educação e respeito. Obscenidades inimagináveis, nas palavras, nos gestos, nos desenhos, nas músicas...o caos.
Alguém me cantou a pedra: Você vai trabalhar como louca e no fim do ano o progresso será tão pequeno que só você vai notar. Vai te matar de frustração.
Enfim o ano acabou. Mais duas semanas e acaba.
Gosto de pensar que eu fiz alguma diferença, até porque fiz mesmo, ainda que pequena, imensurável, mais significativa para a vida que para a escola. Eu vejo e sorrio pra mim mesma.
Mas no meio do ano, eu desliguei para não pifar de vez. Uma experiência sombria.
Estou voltando lentamente para mim mesma, mas rompi laços importantes com a minha vida para dar conta do recado.
Nem sei se posso voltar. Me perdi. Perdi sentimentos. Perdi momentos. Perdi o gosto pela minha vida, pelo que eu amo, pelo que eu preciso....
Não foi só o projeto. Fui eu. Tentando provar uma coisa que é louca e que só interessa para mim.
Preciso voltar. Preciso me ligar. Preciso recuperar uma pessoa que eu já fui. E de quem gostava muito, muito mais.
Vinte alunos com deficiências sérias de aprendizado. Leitura e escrita de primeiro ano, já no sexto.
Distúrbios de comportamentos dos mais variados e difíceis de suportar.
Palavrões, agressões, desinteresse, falta de educação e respeito. Obscenidades inimagináveis, nas palavras, nos gestos, nos desenhos, nas músicas...o caos.
Alguém me cantou a pedra: Você vai trabalhar como louca e no fim do ano o progresso será tão pequeno que só você vai notar. Vai te matar de frustração.
Enfim o ano acabou. Mais duas semanas e acaba.
Gosto de pensar que eu fiz alguma diferença, até porque fiz mesmo, ainda que pequena, imensurável, mais significativa para a vida que para a escola. Eu vejo e sorrio pra mim mesma.
Mas no meio do ano, eu desliguei para não pifar de vez. Uma experiência sombria.
Estou voltando lentamente para mim mesma, mas rompi laços importantes com a minha vida para dar conta do recado.
Nem sei se posso voltar. Me perdi. Perdi sentimentos. Perdi momentos. Perdi o gosto pela minha vida, pelo que eu amo, pelo que eu preciso....
Não foi só o projeto. Fui eu. Tentando provar uma coisa que é louca e que só interessa para mim.
Preciso voltar. Preciso me ligar. Preciso recuperar uma pessoa que eu já fui. E de quem gostava muito, muito mais.
A última música - o último livro.
Li muitos nesse ano.
Like poison li a saga Crepúsculo inteira. Todos os livros que ganhei do patrãozin. A maioria me deprimiu. Muito desencontro, muita degradação, muita desesperança.
Acho que vou aderir ao Nicholas Sparks. Não viciou, mas encantou.
O problema é que, como eu queria, me desligou. E eu preciso mesmo é voltar.
Li muitos nesse ano.
Like poison li a saga Crepúsculo inteira. Todos os livros que ganhei do patrãozin. A maioria me deprimiu. Muito desencontro, muita degradação, muita desesperança.
Acho que vou aderir ao Nicholas Sparks. Não viciou, mas encantou.
O problema é que, como eu queria, me desligou. E eu preciso mesmo é voltar.
Arrumações
Se eu contar a quantidade de sacos de lixo que já tirei de casa.... e ainda falta tanto...
Estou me desfazendo de tudo, guardando tudo, lembrando de tudo e esquecendo de tudo ao mesmo tempo.
Vi um rosto do passado noutro dia. Quem é essa pessoa? Não é ninguém. Mas por tanto tempo foi tanta coisa....Será que sou maluca...Não é uma pergunta. Nem uma afirmação. É uma parte de mim.
Tenho sido assolada por coisas, sensações, lembranças. Como se o ontem invadisse o hoje. Como se vinte anos se evaporassem num segundo para chover no outro.
Meus pais, minhas irmãs, alguém que eu não vejo há séculos, palavras, cheiros, cores, amores e tristezas. Um apelido, um filme, uma música, um beijo, um rosto...e depois o presente.
Ando ausente. Sinto muito por isso. Eu vou voltar.
Se eu contar a quantidade de sacos de lixo que já tirei de casa.... e ainda falta tanto...
Estou me desfazendo de tudo, guardando tudo, lembrando de tudo e esquecendo de tudo ao mesmo tempo.
Vi um rosto do passado noutro dia. Quem é essa pessoa? Não é ninguém. Mas por tanto tempo foi tanta coisa....Será que sou maluca...Não é uma pergunta. Nem uma afirmação. É uma parte de mim.
Tenho sido assolada por coisas, sensações, lembranças. Como se o ontem invadisse o hoje. Como se vinte anos se evaporassem num segundo para chover no outro.
Meus pais, minhas irmãs, alguém que eu não vejo há séculos, palavras, cheiros, cores, amores e tristezas. Um apelido, um filme, uma música, um beijo, um rosto...e depois o presente.
Ando ausente. Sinto muito por isso. Eu vou voltar.
25.4.09
Para o mundo um pouco
Estou rodando sem parar. Sem parar. Só dá tempo de saber que há algo de podre no meu reino feliz. Porque, se me entendem estou feliz. Mas sem paz. Tem essa agonia, esse sabe-se-lá-o-que, esse desejo de parar, olhar para mim e saber que está tudo bem, enfim.
Receita deu-preu
na falta de quem te ouça, sussurre novamente, diariamente, faça o mundo parar.
Estou rodando sem parar. Sem parar. Só dá tempo de saber que há algo de podre no meu reino feliz. Porque, se me entendem estou feliz. Mas sem paz. Tem essa agonia, esse sabe-se-lá-o-que, esse desejo de parar, olhar para mim e saber que está tudo bem, enfim.
Receita deu-preu
na falta de quem te ouça, sussurre novamente, diariamente, faça o mundo parar.